Medina Carreira, no programa "Olhos nos Olhos" da TVI24 (9 de
Setembro), mostrou como a intervenção do Estado levou ao empobrecimento dos
portugueses. Nos gráficos de divulgou prova que para tudo ficar na mesma,
a economia teria de crescer mais de 8% em três anos ou cerca de 3% em
seis anos. Sobre este aspecto, realçou uma questão que os políticos
do PSD, PS e CDS teimam em esquecer: assinaram um memorando com a Troika
que pretende resolver o problema do Estado em três anos, impondo duros sacrifícios
aos que trabalham e produzem. Outra solução resulta de um violento corte nas
despesas do Estado, nomeadamente no sector social e na administração pública,
aliás previsto não em toda a dimensão necessária no referido memorando. A
evolução negativa da despesa pública tem vindo a crescer, pelo menos desde
1990, com destaque para os anos em que se registam eleições
nacionais. Para sustentar a situação, a captação de receitas
apresenta-se como a solução óbvia da classe política que domina e
perpétua no aparelho do Estado. Acontece, porém, como também mostra Medina
Carreira, que esse caminho está próximo da estagnação e constitui uma forma de
transformar os portugueses no povo de escravos e suplicantes, uma vez que o
dinheiro é um instrumento de liberdade e o imposto emerge como censura e
obstáculo à sua expressão.
Já em 1986, nós, os da Escola da Filosofia Portuguesa, durante a campanha
presidencial do filósofo Orlando Vitorino, alertávamos para o embuste do Estado
quanto à promessa da segurança social e à intervenção estatal nos diversos domínios
da vida dos portugueses. Propusemos, e continuamos a defender, o fim desta
servidão humana. O Estado só deveria criar impostos indirectos, assim como
acabar com os impostos progressivos (que nos últimos tempos evidenciaram a sua
natureza violenta: um esbulho). Desta forma, a intervenção do Estado ficaria
deveras limitada e, todos nós, controlaríamos melhor a actuação dos governos.
Os impostos directos passariam a ser criados para atender a situações especiais
e de emergência, sendo aprovados pela Assembleia da República. Quanto à
providência estatal deveria ser substituída por sistemas privados ou outras
alternativas sem as finalidades ideológicas associadas ao
intervencionismo. A sociedade tornar-se-á mais justa para os esforços
individuais e promotora da prosperidade geral ao devolver os instrumentos que
possibilitem às pessoas realizarem a sua liberdade e felicidade.
terça-feira, 10 de setembro de 2013
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Miguel Torga e a casa da minha Avó
Miguel Torga "apanhado" pelo fotógrafo a sair de casa da minha Avó, na praceta Fernando Pessoa, de quem era vizinho. Muitos tomam esta moradia como a Casa-Museu. Trata-se de uma das raras imagens em que o poeta esboça um sorriso e, por via disso, é tida muitas vezes como foto "oficial". Adivinhem quem é o miúdo que se esconde e espreita na porta? Saber mais
sábado, 7 de setembro de 2013
Serões Conimbricenses: noite de espera
O
acaso levou-me a esperar o Ivo no fundo da escadaria da Igreja dedicada a Santo
António. Já a noite tinha caído sobre o mundo e o sino lembrou aos
incautos que o Espírito passa por ali. Os ponteiros da torre marcam dezanove
horas.
Para muitos, a escadaria é a própria existência. As cenas da vida de Cristo que a ladeiam pontuam os patamares, ou os estados de espírito, até à entrada do Templo. Não recordo a última vez que ali estive, mas também não importa. A lembrança é a do funeral do meu Avô e o peso terrível do caixão sobre os meus ombros.
Já envolto no estranho esquecimento do mundo, a presença do Anjo é mais forte do que nunca. Posto assim fui levado a subir os degraus e a assistir ao final da missa. A reza é a de um profundo pecador, sem direito ao chão sagrado. Não sou arrependido, nem peço perdão. A oração é dirigida e desejo até às lágrimas comunicar com o ser celestial. Evoco todos os entes dos mundos divinos. E os mortos também.
A reza envolve-me de forma pública, inédita e arrebatadora. Por instantes sou inconveniente, egoísta e herege. Tento chegar à intimidade e, quanto mais insisto, mais parece longínquo. Por vezes, a saudade do Anjo é intensa e tão criativa que excede tudo o que sou. Nem sei porque escrevo. Por esta altura, tudo parece sem sentido e um imenso disparate.
Depois, sinto o frio e húmido véu nocturno. São dezanove horas e quinze minutos e o Ivo aproxima-se. Abracei-o comovido mas sem oportunidade de falar do Anjo e da sua impressionante presença. Um dia, converso sobre o feitiço da minha alma. O Ivo é o único que, porventura, compreenderá o frenesim louco e vadio das minhas palavras.
Para muitos, a escadaria é a própria existência. As cenas da vida de Cristo que a ladeiam pontuam os patamares, ou os estados de espírito, até à entrada do Templo. Não recordo a última vez que ali estive, mas também não importa. A lembrança é a do funeral do meu Avô e o peso terrível do caixão sobre os meus ombros.
Já envolto no estranho esquecimento do mundo, a presença do Anjo é mais forte do que nunca. Posto assim fui levado a subir os degraus e a assistir ao final da missa. A reza é a de um profundo pecador, sem direito ao chão sagrado. Não sou arrependido, nem peço perdão. A oração é dirigida e desejo até às lágrimas comunicar com o ser celestial. Evoco todos os entes dos mundos divinos. E os mortos também.
A reza envolve-me de forma pública, inédita e arrebatadora. Por instantes sou inconveniente, egoísta e herege. Tento chegar à intimidade e, quanto mais insisto, mais parece longínquo. Por vezes, a saudade do Anjo é intensa e tão criativa que excede tudo o que sou. Nem sei porque escrevo. Por esta altura, tudo parece sem sentido e um imenso disparate.
Depois, sinto o frio e húmido véu nocturno. São dezanove horas e quinze minutos e o Ivo aproxima-se. Abracei-o comovido mas sem oportunidade de falar do Anjo e da sua impressionante presença. Um dia, converso sobre o feitiço da minha alma. O Ivo é o único que, porventura, compreenderá o frenesim louco e vadio das minhas palavras.
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
"Portugal, Razão e Mistério" de António Quadros: terceiro volume
A propósito das homenagens a António Quadros surgiram alguns comentários a propósito do terceiro volume da obra “Portugal, Razão e Mistério”. António Braz Teixeira afirma que o filósofo lhe terá confidenciado já ter escrito cerca de duzentas páginas desse volume, manuscrito que ainda não foi encontrado no espólio da Fundação António Quadros. Esse volume foi anunciado na “Leonardo, revista de filosofia portuguesa”, fundada e dirigida pelo autor destas linhas, num artigo intitulado “O mundo a fazer e como fazê-lo, segundo Leonardo Coimbra e os seus discípulos”, escrito a propósito de um comentário meu publicado no jornal “O Dia” se a memória não falha. Neste texto afirmava que “é legítimo esperar que no terceiro volume da sua obra (Portugal, Razão e Mistério), António Quadros diga como é que a filosofia portuguesa é a realização do Quinto Império”.
No artigo publicado na "Leonardo", António Quadros sublinhou que aquela esperança deixaria de ser uma hipótese “se o autor de Portugal Razão e Mistério tiver capacidade ideativa para o confirmar, ou seja, se o último volume desta obra, provavelmente intitulado Filosofia Portuguesa e Razão Teleológica conseguir ser, não uma conclusão aleatória, mas a conclusão necessária”.
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A revista "Ensaio" e António Quadros
Certa vez, no gabinete de Orlando Vitorino na Fundação Gulbenkian, onde era funcionário do serviço de “Bibliotecas Itinerantes”, conversávamos sobre a nova revista que pretendia editar, a “Ensaio – folha de cultura e opinião”, a meio de 1980. Orlando era com Henrique Barrilaro Ruas, presenças sempre constantes nas minhas publicações, mesmo as do tempo da inocência (por exemplo, o “Acção” da qual saiu um único número, ainda impresso a stencil).O sexto andar (?) do edifício em frente à Fundação, na Av. de Berna, era um local de encontro de intelectuais. O serviço foi criado por Branquinho da Fonseca em 1958, tendo tido como directores António Quadros, David Mourão Ferreira, Vergílio Ferreira e contava com a colaboração de numerosos intelectuais que comentavam os livros ou participavam nas diversas iniciativas das Bibliotecas. Na minha juventude, passava muito do meu tempo com Orlando Vitorino, algum dele naquele serviço. Por vezes, combinávamos um encontro e, por alguma razão, Orlando não aparecia. Lá ficava no seu gabinete enroscado no sofá com o Sol a bater e adormecia. Por vezes, esqueciam-se de mim no interior do edifício.
Volvendo à “Ensaio”, estávamos a fazer a lista de colaboradores numa tarde em que a porta do gabinete estava aberta (aliás, era frequente). De repente, à sua passagem, Orlando exclamou: “António!”. E lá entrou o António Quadros causando algum temor a um adolescente que já conhecia a sua obra. Afinal, era um dos “sagrados“ do pensamento português. “Vais escrever um artigo a “Ensaio”, revista que o Moraes Sarmento vai publicar!”, atirou Orlando, logo depois dos cumprimentos. Prestes, Quadros concordou e revelou logo o tema: um excerto do livro do sebastianismo que acabaria de ser publicado mais tarde sob o título “Poesia e Filosofia do Mito Sebastianista” pela Guimarães Editores em 1982, quase dois anos depois.Nervoso e apreensivo telefonei ao meu Tio Leandro, familiar que, desde novo, me fez interessar pelas lides espirituais e na biblioteca de quem desassosseguei a alma para sempre. À novidade que também apanhou de surpresa o Leandro colocava-se um problema: com António Quadros, a revista não poderia ser publicado de forma rudimentar. O stencil tinha ficado fora de questão. Restava a impressão em gráfica. E foi assim que a “Ensaio” ganhou forma, com as minhas poupanças destinadas religiosamente para obter a carta de condução e apoio de alguns amigos. Tratou-se de um passo decisivo para o posicionamento que a revista veio a ter nos círculos intelectuais e para o meu envolvimento, cada vez mais profundo, com a Escola de Filosofia Portuguesa. O convívio e até a cumplicidade com António Quadros durou até ao seu falecimento em tertúlias e iniciativas culturais.
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"Webnotas_da sociedade de informação ao novo estilo de vida"
«Webnotas_da sociedade de informação ao novo estilo de vida» de Francisco Moraes Sarmento é um livro no qual se aborda o impacto das tecnologias na vida pessoal, familiar e profissional. A internet é um instrumento de liberdade é tese sempre presente nos quatro capítulos da obra: liberdade e tecnologia, visão e estratégia, informação e comunicação e aplicações em rede.A liberdade de expressão deixou de ser um mito das sociedades modernas e os indivíduos dispõem de um meio que lhes permite exprimir socialmente a sua mais pura subjectividade sem censura moral ou política. No livro defende-se ainda que a censura tem implicações no desenvolvimento económico dos países, para além de a liberdade ser um factor do contexto externo e interno das organizações. Um aspecto pouco atendido por gestores e políticos.
O «Webnotas» começou a ser escrito em 1999 no «Diário de Notícias», como coluna de opinião, passando depois a ser publicado em outros órgãos de comunicação social portugueses. O prefácio é assinado por João Seabra Botelho que acentua o carácter filosófico e oportuno da obra perante um mundo que tem dificuldades em lidar com os novas formas de expressão dos individuos, das populações e dos povos.
Para adquirir a versão digital (em PDF) basta fazer uma transferência de 5 euros para a seguinte conta:
Banco: MillenniumBCP
Titular: Francisco Manuel Bruno C B Sarmento
Para transferências nacionais: NIB 0033 0000 45358924952 05
Para transferências internacionais: IBAN PT50 0033 0000 4535 8924 9520 5
Deverá enviar comprovativo da transferência para o e-mail francisco_m_sarmento@hotmail.com
Após confirmação da transferência o ficheiro PDF é enviado para o remetente
Se pretender fazer o pagamento através do Paypal deverá enviar um e-mail para francisco_m_sarmento@hotmail.com
Etiquetas:
digital,
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liberdade comunicação,
marketing,
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rede,
tecnologia
Em defesa dos livros escolares digitais
Pelo menos desde 2003 defendo que os livros escolares obrigatórios devem ser disponibilizados em versão digital a preços mais baixos. Uma das razões é esta: as familias portuguesas não têm qualquer poder negocial perante a imposição estatal na educação dos seus filhos. A intervenção do Estado apenas defende os interesses dos grandes grupos editoriais que fazem do início do ano escolar uma "época alta" para a venda dos produtos que os consumidores são obrigado a adquirir. Não há escolha.
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